sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Fantasia

O famoso Wikipedia, não confundir com o outro, apresenta Kanye West assim :


Kanye Omari West (pronounced /ˈkɑːnjeɪ/; born June 8, 1977)[1] is an American rapper, singer, and record producer. West first rose to fame as a producer for Roc-A-Fella Records, where he eventually achieved recognition for his work on Jay-Z's album The Blueprint, as well as hit singles for musical artists including Alicia KeysLudacris, and Janet Jackson. His style of production originally used pitched-up vocal samples from soul songs incorporated with his own drums and instruments. However, subsequent productions saw him broadening his musical palette and expressing influences encompassing '70s R&Bbaroque poptrip hoparena rockfolkalternativeelectronicasynth-pop, and classical music.[2]


Pois é, de facto a paleta de Kanye aumentou ao longo dos anos. Depois de 3 albuns mais centrados no tal estilo inicial de produção, mas que foram sempre abrindo mais portas, Kanye focou-se na electro-pop e no auto-tune no 4º trabalho e dividiu opiniões.
Agora em 2010 volta à carga com 'My beautiful dark twisted fantasy', onde junta tudo o que ja fez antes com mais algumas nuances e simplesmente faz uma obra-prima, sem tirar nem por.
Perder este album, que certamente passara ao lado de todos aqueles que continuam a tratar o hip-hop como um genero menor, é perder um já consagrado a expor a sua criatividade e visão no intuito de criar uma obra de referencia para o futuro e a consegui-lo em grande estilo, rodeado de gente famosa (Jay-z, Pusha-T dos Clipse, Rza dos Wu-Tang Clan, Chris Rock, Gil Scott-Heron, até Elton John!) mas ditando sempre ele as regras. Um album ambicioso, um produto final entusiasmante. A Pitchfork, por exemplo, não hesitou em dar um raro 10.0 ao trabalho, e conseguiu tambem o 1º lugar na lista final de melhores do ano. Na  mui-britanica e indepente Fact conseguiu um honroso 2º.
Para apresentar este registo Kanye foi disponibilizando algumas faixas no seu site(e que faixas...'Monster' ou 'Power', portentosas) e agora que ele saiu e o single é 'Runaway' foi feito um video realizado e escrito em parceria pelo proprio e por Hype Williams que na sua versão longa (que se pode ver aqui por baixo) chega aos 34 minutos e inclui excertos de uma serie de outras bombas do album.




sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Doninha

Foi anunciado no site da banda o final dos Da Weasel, banda de Almada que se iniciou em '93 com Pacman (Carlos Nobre) a convencer o irmão Jay Jay Neige (João Nobre) a pegar no baixo e ajuda-lo a fazer um projecto com pés no hip-hop mas a mente aberta para tudo o resto, especialmente se o resto incluisse rock,hardcore ou punk.
Os primeiros companheiros foram Yen Sung (hoje uma dj de renome no panorama nacional) e Armando Teixeira ( já na altura membro dos Bizarra Locomotiva, que deixou entretanto tambem, e responsavel entre outras coisas pelos projectos Balla e Bullet)
Apanhei-os logo ai, com o primeiro ep 'More than 30 motherf***s', do qual tenho uma copia original de 94, uma das ao que parece 700 que alguma vez se fizeram, o trabalho nunca foi re-editado.



 Ja os Da Weasel iniciaram ai uma trajectoria que no que toca ao sucesso foi sempre a subir. Criativamente, quanto a mim apenas um passo ao lado com 'Podes fugir mas não te podes esconder', trabalho menor de 2001 que entrava demasiado na onda das letras faceis e do rock pesado facção Limp Bizkit que na altura dominava as tabelas. Antes 'Dou-lhe com a alma' em 95,quando a banda tinha ja adquirido Quaresma para a Guitarra e Guilherme para a bateria, '3º Capitulo' em '97 (o seu melhor trabalho, ainda hoje, quanto a mim, ja sem Yen e com Virgul, na altura um miudo, ja la irei...) e 'Iniciação a uma vida banal (o manual)' de 99 traçaram um percurso do melhor que temos por ca em qualquer especie de expressão musical. A decisão de após o primeiro ep largar o ingles revelou-se acertada pois Pacman revelou-se um excelente letrista, um contador de historias urbano que sem ser vulgar não era demasiado complexo na escrita e conseguia passar a sua mensagem, advinhava-se que um dia chegariam as grandes multidões. Os sucessos foram aparecendo e as prestações ao vivo foram fazendo crescer a base de fãs. Nisto Virgul foi determinante. O miudo entrou timido com 16 anos, mas a sua influencia na banda foi crescendo na banda e trouxe algo suplementar tambem  as pretações ao vivo, não so porque era um contra-ponto mais ajustado a voz e presença de Pac do que Yen, mas tambem porque a sua presença fisica e postura em palco pareceu desde logo conquistar muitas miudas, e todos sabemos como isso ajuda as carreiras...
Em 2004 'Re-definições',um regresso inspirado à boa forma, lançou-os para o patamar mais alto do sucesso em Portugal, com vendas na casa da platina, casa cheias e festivais por todo o lado. Chegaram aos coliseus e festejaram a editar 'Ao vivo nos coliseus', depois em 2007 'Amor escarnio e maldizer' continuou o estado de graça e chegaram a esgotar o pavilhão Atlantico, num acontecimento que mais uma vez foi editado neste caso ate com um duplo dvd a acompanhar.
Os concertos por esta altura eram ja um tudo-em-um dos menos de 40 anos em Portugal, via-se de tudo, mas os Da Weasel sempre foram muito fortes ao vivo, mesmo quando os publicos eram mais pequenos, mais militantes, menos conhecedores so dos sucessos e mais dos momentos escondidos. Jay e um grande baixista, por exemplo, e o facto de serem uma banda com instrumentos deixou desde logo de parte um dos problemas habituais ao transpor sons mais hip-hop para o palco sem perder 'calor'. Foi nos concertos que fui arrastando cada vez mais amigos para esta causa. Estavamos la por exemplo no Sudoeste em que Virgul partiu a perna ao entrar com um mortal(?!) no palco ainda durante o dia ou em várias prestações patrocinadas pelas camaras municipais dos arredores do Porto antes das garotas sub 16 quererem ser a 'nina'. São a banda que mais vezes vi ao vivo, para cima de dez de certeza. Custa pois, 17 anos depois saber que os Da Weasel  acabaram. Fica o cheiro da doninha no ar...

Pedaço de Arte ( a preferida.)

O receio que eu queira o teu relógio 
O receio, quando te pergunto as horas sentado no passeio 
Com essa expressão não me consegues enganar, 
leio na tua cara tudo o que estás a pensar 
Na minha testa vês escrita a palavra perdido, 
mas qual de nós os dois será exactamente o mais esclarecido? 
Aquilo que a tua mente censura, é a expressão de uma cultura 
tentaram abafá-la mas ela perdura 
Tudo o que tu vês fazer e depois te limitas a repetir, 
sem sequer te dares ao trabalho de parar e reflectir 
Tudo o que te ensinam na privada, jaula dourada, 
onde por bons rapazes a menina foi violada 
Tudo o que a mamã – que a trata por você desde bébé - 
lhe disse sobre a escumalha, sobre a ralé 
Tudo isso é verdadeiro como um O.V.N.I. de Marte. 
Enquanto aquilo que eu te trago é um pedaço de arte 

É estranho mas eu apanho que algo em mim dá-te tesão 
e é tão difícil aceitar essa sensação. 
Imaginas por momentos como seria, 
se te aventurasses a fazê-lo 
Quem sabe um dia se conseguisses experimentar sem ninguém dar por nada 
Na volta davas uma queca bem suada. 
Deixava-te virada, estás a delirar, com certeza, 
Pensa só numa mistura dessa natureza 
Passam–te pela cabeça as ideias mais tontas 
Deixa as aventuras para a pocahontas 
Afinal de contas nem devias estar sozinha a esta hora 
Mas a tua amiga normalmente não se demora 
e agora só te apetece dar um grito, 
um breve momento passa a ser infinito 
vai com calma 
Não quero que tenhas nenhum enfarte. 
Relaxa e aprecia este pedaço de arte 

Eu não quero nada de ti, nem de mão beijada, 
Fiz-te uma simples pergunta, mais nada 
O preconceito espelhado na tua face 
foi suficiente para que eu desde logo me assustasse 
irónico, mas enojas-me mais do que eu a ti 
Bastou-me um segundo e logo, logo percebi 
Nasci ontem mas passei a noite acordado 
Conheço as pessoas, 
de facto sou licenciado numa escola a que nunca terás acesso
, 
nem todo o dinheiro do mundo chega para o teu ingresso 
Guarda o teu medo e segue lá o teu caminho 
só queria saber se ainda estava a dar o Mariño *
Hoje quero ir ouvir um som doce como uma tarte 
e deliciar-me com mais um pedaço de arte. 


Pequeno este pedaço mas com tudo o que eu preciso 
desde palavras e sons até mesmo um improviso 
Puro como água, doce como uma tarte 
Faz então a tua porque eu já fiz a minha parte 



*Jose Marino apresentava o programa Repto, na Antena 3, dedicado ao hip-hop.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Aumento do Arquivo : Novembro

Cds :

Linda Martini - Casa Ocupada
Avey Tare - Down There
Paul McCartney & Wings - Band On The Run
John Lennon - John Lennon / Plastic Ono Band
Va - Deutsche Elektronische Musik (Experimental german rock and electronic music 1972-83)
Fabriclive by David Rodigan
Anthony Pappa - Djmag Autumn 2010

Vinil :

Belle Chase Hotel - Fossanova
Panda Bear  - You Can Count On Me

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Agora com a Yeah!

Pouco depois de 'London Sessions', lançado no iTunes, gravado ao vivo em estudio e do qual ja falei, os Lcd Soundsystem gravaram o concerto que deram no Alexandra Palace, em Londres no passado dia 10. As diferenças entre os registos, para alem da presença de publico, são no que toca à duração(esta é uma set-list completa) e ao alinhamento. Assim passamos de 9 para 11 musicas. Saem do primeiro registo 'Us vs them' (pena!), 'All I Want',  'Get Innocuous', 'Pow pow' e 'Yr city's a sucker' para darem lugar a 'Dance yourself clean', 'You wanted a hit', 'Tribulations', 'Movement'(excelente versão ainda mais a rasgar, punk mesmo), 'Someone great', 'Home' (uma das faixas do ano, a ultima de 'This is happening') e 'Yeah!', a tal que em concerto é ainda mais explosiva e que invariavelmente é um dos pontos altos.
Disponivel em formato digital para download ou em cd, neste caso acompanhado de um segundo cd com a gravação da primeira parte do concerto...dos Hot Chip. Muito recomendavel portanto.
Quem quiser comprar pode faze-lo aqui : http://links.emi.com/LCDHotChip

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sessões

Numa das minhas consultas ao Pitchfork, dei de caras com um novo lançamento dos Lcd Soundsystem. Não salivem já tudo, não é um novo album. São gravações, 'ao vivo' em estudio, na mitica BBC, que promove com regularidade estas prestações. Chama-se 'London Sessions' e é um iTunes only release, querendo isto dizer que não sera sequer editado fisicamente, pelo menos não está previsto. Está no entanto à curta distancia de um download (legal ou não). Composto por 9 temas, que vão desde 'Yr city's a sucker', um dos primeiros singles até 'All I want', 'I can change','Pow pow' e 'Drunk Girls', todas do ultimo 'This is happening', completadas pelas fortissimas'Daft Punk...', 'All my friends', 'Get innocuous' e a poderosa abertura habitual com 'Us vs Them'. Não sendo o mesmo que presencia-los ao vivo em concerto, dá para ter uma ideia, um cheirinho, da força desta malta. Uma máquina de ritmo imparavel, faltando apenas a minha favorita ao vivo 'Yeah' para ser perfeito. Assim é apenas excelente!

Ps: Ainda falando de James Murphy, descobri também que os Lcd Soundsystem fizeram uma cover de 'Throw', talvez a minha musica de house preferida, eu que nem aprecio sobremaneira o genero, um classico do projecto Paperclip People do pioneiro de techno, house e tudo a volta Carl Craig, da mitica motortown, Detroit e que terá à volta de 15 anos. Se alguem sabe fazer covers, é Murphy e aqui volta a não falhar, conseguindo uma desbunda que se prolonga por 10 minutos(!) e que não fica atrás do original. Ouçam!

Faltou a 'Shimmering ...'

Foi no passado dia 12, sexta-feira, que os Belle Chase Hotel voltaram aos palcos depois de uma longa ausencia determinada pelo final da banda. Depois disso varios membros seguiram caminhos musicais, inclusive em conjunto, como nos projectos Quinteto Tati ou Azembla´s Quartet. JP Simões, o vocalista, iniciou depois uma carreira a solo, cantada em português, onde abraçou de forma mais livre a sua paixão pelas artes do cantautor, pela bossa-nova e a sua devoção assumida por Chico Buarque. Raquel Ralha, a outra vocalista, tem uma carreira de ainda mais notoriedade junto de Paulo Furtado, também conhecido por Legendary Tiger Man, nos seus Wray Gunn. Mas todos, todos juntos, só aconteceu de novo agora. Sem surpresa aconteceu em Coimbra, terra que viu nascer o projecto, no Teatro Academico Gil Vicente, uma sala agradavel, com cadeiras, um excelente sitio para os BCH montarem o seu cabaret. Durante o concerto, nas suas na altura famosas tiradas entre musicas(que agora já não são acompanhadas por um cigarro numa mão e um copo na outra) JP brincou por exemplo com a dificuldade que a critica musical teve , por aqueles anos, em definir a musica produzida por esta pequena orquestra, inventando designações dificies de pronunciar. Mas a verdade é que os BCH foram um projecto claramente à parte no panorama nacional, pela qualidade das letras e arranjos, dos musicos, das prestações ao vivo e também dos registos em estudio que deixaram , infelizmente apenas dois. O primeiro, 'Fossanova', era logo um 'melting pot' de influencias, com varias faixas que ainda hoje ouço com agrado como 'Sign o' the crimes', 'Lonely gigolo', ou 'Scorpions in love'. Depois veio 'La Toillete des etoiles', com o tema titulo a ser cantado em francês e o primeiro single 'São Paulo 451' em...brasileiro. Era um trabalho mais denso e negro, um contraponto perfeito para o primeiro disco. Foi de lá que veio 'Light Movie', espécie de retrato policial/James Bondiano que deu inicio perfeito ao concerto. Um bom espectaculo que, desconfio, ira melhorar ainda mais com a afinação e desenvoltura resultantes de mais uma ou duas datas. Estarei certamente no Porto quando ca vierem para os rever. Afinal podem não aparecer outra vez tão cedo e como estes não há, de facto, muitos.
Fica um video do concerto, gravado da cadeira ao lado da minha(thks Pi)...os Belle Chase Hotel e 'Living Room'...





'Bring me the wine, my dear...'

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Avey Tare

Outro que a critica nacional tem até agora ignorado, ainda que este tenha sido lançado apenas em Outubro, é 'Down There', album a solo de Avey Tare.
Avey Tare, nome verdadeiro Dave Portner, é para quem não sabe um dos membros dos geniais Animal Collective. Para quem não sabe, os rapazes decidiram fazer uma pausa para descansarem. Parece, no entanto que os dois vocalistas da banda, Avey e o agora morador em Lisboa Panda Bear não querem cá ferias nenhumas de fazer albuns. Panda tem ja dois singles lançados e anuncia o album antes do fim do ano. Avey antecipou-se e tem já ca fora o trabalho. Experimental qb como seria de esperar de um membro dos AC, não é de todo um trabalho dos mais dificeis no peculio da banda. Tem quase tudo a que nos habituaram, ou seja, psicadelismo a rodos, ambientes diferentes, aquele som que parece so deles e que tem vindo a inspirar muito boa gente por ai fora. São apenas 34 minutos de boa e exigente musica feita por um dos criadores modernos mais excitantes.
Fica o video do primeiro single, 'Lucky 1' :